● Monitor // Ataques israelenses

Dossiê · números até o boletim de 07/11/2026

Entenda a guerra em Gaza

O que aconteceu, quantos morreram e o que diz a Justiça internacional, explicado do começo, com os números oficiais.

74.640mortos em Gaza
21.976crianças mortas
1.129mortos na Cisjordânia
8.436mortos no Líbano
Mapa 3D ao vivo com os mortos em Gaza, Cisjordânia e Líbano

O que está acontecendo

Desde outubro de 2023, Israel faz guerra contra a Faixa de Gaza, um território de 365 km², menos de um terço da área da cidade do Rio de Janeiro, onde viviam cerca de 2,2 milhões de pessoas.

Até o boletim de 07/11/2026, foram 74.640 mortos em Gaza, entre eles 21.976 crianças, e 175.947 feridos. Cerca de 90% da população teve de deixar suas casas, muita gente várias vezes.

A violência não ficou só em Gaza. Na Cisjordânia, que também é ocupada, foram 1.129 palestinos mortos por forças israelenses e colonos. No Líbano, foram 8.436 mortos.

Este monitor reúne os números oficiais e explica, em ordem, como se chegou até aqui. No mapa ao vivo, os ◆ da linha do tempo levam a cada acontecimento no dia em que ele aconteceu, com os números daquele dia.

Antes de 7 de outubro

1948, a Nakba ("catástrofe"). Na criação do Estado de Israel, cerca de 750 mil palestinos foram expulsos ou fugiram de suas casas, e centenas de aldeias foram destruídas. A maioria dos moradores de Gaza descende desses refugiados.

1967, a ocupação. Na Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza. Em julho de 2024, a Corte Internacional de Justiça declarou ilegal essa ocupação e disse que ela deve acabar o mais rápido possível.

Colonização. Mais de 700 mil colonos israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Pelo direito internacional, esses assentamentos são ilegais (Resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU, 2016).

2005 a 2007, o bloqueio. Israel tirou colonos e soldados de Gaza em 2005, mas continuou controlando as fronteiras, o mar e o espaço aéreo. Em 2007, o Hamas assumiu o governo de Gaza, e Israel e o Egito impuseram um bloqueio que limita a entrada de pessoas e mercadorias. Para a ONU, Gaza continua sendo território ocupado.

Guerras anteriores. Gaza foi atacada em 2008–2009, 2012, 2014 e 2021. Só em 2014, mais de 2.200 palestinos foram mortos em 51 dias.

7 de outubro e a guerra

O ataque. Em 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos armados atacaram o sul de Israel. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas, a maioria civis, e 251 foram levadas como reféns para Gaza. Atacar civis e fazer reféns é crime de guerra.

A resposta. Israel começou a bombardear Gaza no mesmo dia. Dois dias depois, anunciou um "cerco total": sem eletricidade, comida, água ou combustível. Em 13 de outubro, mandou cerca de 1,1 milhão de pessoas saírem do norte de Gaza. Depois vieram a invasão por terra, o cerco a hospitais (o al-Shifa foi invadido em novembro de 2023 e de novo em março de 2024) e a ofensiva em Rafah, em maio de 2024.

Quem morreu. Entre os 74.640 mortos estão 21.976 crianças e 12.500 mulheres. Morreram também 1.723 profissionais de saúde, 149 socorristas da defesa civil e 263 jornalistas. Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), nenhum conflito matou tantos jornalistas desde que a entidade começou a contar, em 1992.

Sem lugar seguro. Cerca de 90% da população foi deslocada. Áreas declaradas "humanitárias" pelo próprio Israel também foram bombardeadas.

Cerco e fome

Cerco desde o início. O "cerco total" de 9 de outubro de 2023 fez da entrada de comida, água, remédio e combustível uma arma. A ajuda entrou durante toda a guerra em quantidade muito menor que a necessária.

Bloqueio total. De 2 de março a meados de maio de 2025, Israel não deixou entrar nenhuma comida, remédio ou combustível em Gaza, por cerca de 11 semanas.

As filas da morte. A partir do fim de maio de 2025, a distribuição de comida passou a ser feita pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada pelos EUA e por Israel, em poucos pontos sob controle militar. Segundo a ONU, mais de mil pessoas foram mortas tentando conseguir comida até o fim de julho.

Fome confirmada. Em 22 de agosto de 2025, o IPC, sistema de classificação usado pela ONU, confirmou fome (o nível mais grave da escala) na província de Gaza. Foi a primeira vez que se confirmou fome oficialmente no Oriente Médio.

Crime de guerra. Os mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu e Gallant incluem o crime de usar a fome como método de guerra.

Destruição. O Gabinete de Mídia do governo de Gaza contou 416.000 moradias destruídas, além de escolas, mesquitas, igrejas e prédios públicos (painel à direita).

Cisjordânia

O Hamas não governa a Cisjordânia, que fica sob ocupação militar israelense desde 1967. Mesmo assim, a violência explodiu a partir de outubro de 2023.

Desde então, a ONU registrou 1.129 palestinos mortos, sendo 240 crianças, e 12.298 feridos por forças israelenses e colonos. Também registrou 5.148 ataques de colonos.

Muro de Ferro. Em janeiro de 2025, uma operação militar esvaziou os campos de refugiados de Jenin, Tulkarm e Nur Shams. Cerca de 40 mil pessoas foram expulsas, o maior deslocamento na Cisjordânia desde 1967, segundo a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA).

No dia a dia, há postos de controle, demolição de casas, tomada de terras para assentamentos e milhares de palestinos presos sem acusação formal, na chamada "detenção administrativa".

Líbano

A partir de 8 de outubro de 2023, o Hezbollah e Israel trocaram ataques na fronteira.

Setembro de 2024. Em 17 e 18 de setembro, Israel explodiu milhares de pagers e rádios no Líbano, ferindo e matando também civis, inclusive crianças. Em 23 de setembro, lançou uma campanha de bombardeios que matou mais de 500 pessoas num só dia. Em outubro, invadiu o sul do país por terra. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas.

Trégua que não parou os ataques. Um cessar-fogo entrou em vigor em 27 de novembro de 2024, mas Israel continuou bombardeando e manteve tropas em cinco posições no sul do Líbano.

No total, foram 8.436 mortos e 29.066 feridos, segundo o Ministério da Saúde do Líbano (atualizado em 30/10/2026).

O que diz a Justiça internacional

Corte Internacional de Justiça (CIJ), o tribunal da ONU que julga países. Em dezembro de 2023, a África do Sul processou Israel com base na Convenção contra o Genocídio. Em 2024, a corte ordenou que Israel prevenisse atos de genocídio e deixasse entrar ajuda humanitária (janeiro e março) e que parasse a ofensiva em Rafah (maio). O julgamento final, que vai decidir se houve genocídio, ainda não terminou. Em julho de 2024, num processo separado, a CIJ declarou ilegal a ocupação israelense.

Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga pessoas. Em novembro de 2024, emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant, por crimes de guerra e contra a humanidade, e também contra o chefe militar do Hamas Mohammed Deif. Os países membros do TPI, entre eles o Brasil, têm a obrigação de prender os acusados se eles entrarem em seu território.

Genocídio. Em setembro de 2025, a Comissão de Inquérito da ONU concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza. Antes dela, chegaram à mesma conclusão a Anistia Internacional (dezembro de 2024) e a organização israelense B'Tselem (julho de 2025).

Israel nega as acusações e diz agir em legítima defesa contra o Hamas.

Cessar-fogo e depois

Primeiras tréguas. Em novembro de 2023, uma pausa de sete dias trocou 105 reféns por 240 presos palestinos. Em 19 de janeiro de 2025, começou um cessar-fogo em fases. Israel o rompeu em 18 de março de 2025 com bombardeios que mataram mais de 400 pessoas numa noite.

Cessar-fogo atual. Em 10 de outubro de 2025, entrou em vigor o cessar-fogo do plano dos EUA. Os reféns vivos foram libertados em 13 de outubro, em troca de cerca de 2 mil presos palestinos. Israel manteve tropas em cerca de metade de Gaza, atrás da chamada "linha amarela".

As mortes continuaram. Desde o cessar-fogo, os boletins somam 1.421 pessoas mortas em novos ataques, 113 feridos que não resistiram e 908 corpos retirados dos escombros. O total de Gaza subiu 7.429 nesse período, porque também entram mortes antigas confirmadas depois. Último boletim: 07/11/2026.

Como ler os números

Gaza. O Ministério da Saúde de Gaza conta os corpos registrados em hospitais e necrotérios e publica listas com nome e documento (72.835 nomes publicados até agora). A ONU usa esses números, e em guerras anteriores eles bateram com contagens independentes.

Civis e combatentes. Os números não separam civis de combatentes. Entre as vítimas identificadas pelo nome, 50% eram mulheres, crianças ou idosos.

O número real é maior. A contagem não inclui os desaparecidos sob os escombros nem quem morreu de fome ou de doença por causa da guerra. Um estudo publicado na revista médica The Lancet (janeiro de 2025) estimou que as mortes violentas até junho de 2024 estavam cerca de 41% acima do número oficial.

Outras fontes. Cisjordânia: OCHA, o escritório humanitário da ONU. Líbano: Ministério da Saúde do Líbano, que também não separa civis de combatentes. Destruição: Gabinete de Mídia do governo de Gaza.

De onde vêm os dados. A Tech for Palestine é um grupo de voluntários que junta os boletins e publica os dados abertos que este monitor usa. A altura das colunas no mapa é proporcional à raiz quadrada dos mortos; sem isso, a Cisjordânia e o Líbano sumiriam ao lado de Gaza.

Linha do tempo

  1. Ataque de 7 de outubro

    O Hamas e outros grupos atacam o sul de Israel: cerca de 1.200 mortos e 251 reféns. No mesmo dia, Israel começa a bombardear Gaza. Entenda

  2. Cerco total

    O ministro da Defesa, Yoav Gallant, anuncia o corte de eletricidade, comida, água e combustível para 2,2 milhões de pessoas. Entenda

  3. Ordem para sair do norte

    Israel manda cerca de 1,1 milhão de pessoas deixarem o norte de Gaza. Entenda

  4. Invasão do hospital al-Shifa

    Tropas israelenses entram no maior hospital de Gaza, onde estavam pacientes e milhares de deslocados. Entenda

  5. Primeira trégua

    Uma pausa de sete dias troca 105 reféns por 240 presos palestinos. Entenda

  6. CIJ manda prevenir genocídio

    A Corte Internacional de Justiça ordena que Israel previna atos de genocídio e deixe entrar ajuda humanitária. Entenda

  7. Massacre da farinha

    Mais de 110 pessoas são mortas na Cidade de Gaza enquanto esperavam caminhões de comida. Entenda

  8. Comboio humanitário atingido

    Ataques israelenses matam 7 trabalhadores da ONG World Central Kitchen num comboio identificado. Entenda

  9. Invasão de Rafah

    Israel toma a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito. Mais de 1 milhão de deslocados estavam abrigados na cidade. Entenda

  10. CIJ manda parar em Rafah

    A Corte Internacional de Justiça ordena que Israel pare a ofensiva em Rafah. Entenda

  11. Ocupação declarada ilegal

    A Corte Internacional de Justiça declara ilegal a ocupação israelense dos territórios palestinos. Entenda

  12. Bombardeios no Líbano

    Dias depois de explodir pagers e rádios, Israel bombardeia o Líbano: mais de 500 mortos num só dia. Entenda

  13. Cerco ao norte de Gaza

    Israel cerca Jabalia, Beit Lahia e Beit Hanoun, e a comida quase para de chegar ao norte. Entenda

  14. Mandados do TPI

    O Tribunal Penal Internacional manda prender Netanyahu e Gallant, entre outros crimes por usar a fome como arma de guerra. Entenda

  15. Trégua no Líbano

    Começa o cessar-fogo no Líbano. Israel continua os ataques e mantém tropas no sul. Entenda

  16. Cessar-fogo em Gaza

    Começa a primeira fase de um cessar-fogo, com troca de reféns e presos e entrada de mais ajuda. Entenda

  17. Operação Muro de Ferro

    Uma operação militar esvazia campos de refugiados na Cisjordânia: cerca de 40 mil pessoas expulsas. Entenda

  18. Bloqueio total

    Israel proíbe a entrada de qualquer comida, remédio ou combustível em Gaza. O bloqueio dura cerca de 11 semanas. Entenda

  19. Trégua rompida

    Israel volta a bombardear Gaza: mais de 400 mortos numa noite. Entenda

  20. Filas da fome

    Começa a distribuição militarizada de comida. Até o fim de julho, a ONU conta mais de mil mortos tentando buscar comida. Entenda

  21. Fome confirmada

    O IPC confirma fome na província de Gaza, a primeira declarada oficialmente no Oriente Médio. Entenda

  22. ONU conclui genocídio

    A Comissão de Inquérito da ONU conclui que Israel cometeu genocídio em Gaza. Entenda

  23. Cessar-fogo atual

    Começa o cessar-fogo do plano dos EUA. As mortes não pararam: veja quantas no capítulo. Entenda